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pinguim amora

- por tentativa e erro e com um amor incondicional, lá nós vamos fazendo mães e pais - alerta parental: este é um blog de partilha de experiências, não um compêndio.

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Qui | 09.08.18

mãe em burn out

mami

a minha filha é muito boa para a mamã: dorme desde o 1.º mês a noite toda, come sem se queixar, adormece sozinha na caminha dela, adora tomar banho, é sociável e só chora se algo não estiver bem.

pelo menos assim era até há uma semana atrás.

agora dorme mal, acorda várias vezes durante a noite e chega a demora até três hora até voltar a adormecer (chorando sempre). durante o dia é exigente de atenção, não está bem de forma alguma - no chão, no colo, sentada, deitada, a brincar, a olhar para a tv. crise de crescimento lê-se por . quiçá. se for, que passe rápido… por favor!

ando exausta. ela nunca me preparou para isto.

hoje caiu da cama.

eu desabei.

foi como se toda a pressão acumulada na última semana se soltasse.

senti-me perdia.

culpada.

má mãe.

pedi desculpas. chorei (mais que ela que mal se queixou).

sei que a culpa é um sentimento que atormenta as mães. é horrível senti-lo. somos suscetíveis de falhar. mas não nos permitimos fazê-lo. tenho consciência disso. racionalmente deveria ser capaz de aceitar que “estas coisas acontecem” por mais atenção e cuidado que se tenha. e aceito. mas depois há a parte emocional do cérebro que me fustiga com o sentimento de culpa: “sim, pode acontecer, mas não deverias permitir que acontecesse. deverias ter mais cuidado. estar mais atenta.”

passados 8 meses sinto-me naquele limiar entre o estar bem e o definitivamente não o estar. aguantei-me sem pirar durante 8 meses. já não é mau. quer dizer… houve uma fase por volta dos dois meses que também não foi nada fácil – a fase das cólicas e das dores/choro constante.

sou boa mãe. sei que o sou. estou sozinha com a pequena 80% do tempo (o pai esta ausente por logos períodos por questões profissionais e não tenho família por perto). no entanto, o peso da responsabilidade autoimposta é avassalador.

se as crianças têm assua crises de crescimento, quiçá as mães também tenham as suas de “burn out”. e, se assim é, eu estou, sem dúvida, a passar por uma dessas.

desde que voltei ao trabalho que não tenho hora de almoço para a pequena passar o menos tempo possível na creche. estou cansada. hoje decidi que a vou buscar mais tarde.

se me sino em com esta decisão, não.

se preciso de o fazer, sim.

preciso de um tempo sozinha, sem choro, sem exigência, sem medo de estar a falhar ou de não ser o boa o suficiente.

enquanto escreve este texto escorrem-me as lágrimas pela tomada de consciência da minha fragilidade e pela culpa de precisar de “um tempo” sem ela.

raios que isto da maternidade é complicado!

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 imagem retirada daqui

 

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